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sábado, 11 de julho de 2020

A GAROTA AMARELA

Nunca mais eu vi
Aquela garota
Que caminhava
Com as mãos torcidas
Para fora.
Aquela mulher
Fantástica, no miúdo rebolado,
Que recebia o cabelo de mel
Que descia da sua cabeça.
Esculpida de forma tão estúpida.
Dois olhos meio gordos,
De grandes cílios batalhadores,
Que perscrutava
Os desenhos verticais
Que passeavam.
Era gostoso de vê
Seu bumbum circular,
Geométrico nos detalhes,
Mas humano na forma de
Se mexer.
Estou com saudade de vê-la
Caminhar na pista da administração
Onde, sempre, eu a encontrava
Para caminhar lado a lado,
Ela não me conhecia
Eu era uma sombra que brotou
Ali do lado,
Para soprá-la,
Que era pétala de rosa solta
Que voou.

Breguêdo 2002

As cervejas de ontem


O teste do Presidente da República


COMO NO SONHO DE HOJE

Eu vi você
Cair do céu
E não estava
Do seu lado
Quando você subiu
Um furacão rasgou
A cidade
E na minha idade
Eu não me interessei.
Era você que
Causava alvoroço
Poe trás das melhores ideias.
Ficar sem você
É desastroso.
É um plugue sem tomada
Recebendo a cada hora
Uma descarga elétrica
Das mais cruéis intenções.
O mercado sem biscoitos
Daria dos dez
Pelo menos oito
Para não vê-la triste de novo.
Na rua os carros sem zoada
E eu ignorando
Vou por baixo de todas
As escadas
Sem medo do azar.
Só amei você
E nunca te dei flores.
Só amei você
Em esquinas fedidas
E nos melhores cobertores.
Agora as TVs desligadas
Já dizem tudo,
Não tem e-mail
Na caixa de entrada.
O carteiro passa
Sem me cumprimentar,
Que tal a saudade
Daquele amarelo?
Que tal...
No quarto você ainda
Está na cama
E um coração branco
Aos poucos
Vai ficando vermelho.

BREGUÊDO 2009

sábado, 4 de maio de 2019

MÃE NATUREZA

Ah, se eu pudesse
Ter tudo de você,
Mãe natureza.
Eu teria
Em meus olhos
A certeza
Do teu prazer
Quando penetrasse
Teus bosques.
E índios viessem
Me receber.
Do mar teria
O frio toque
De quem não se importa
Mas recebe sem notar
E abre a porta
Para o estranho
Que acaba de chegar.
Mas é de todos
E não só minha.
Tuas curvas, tuas colinas,
Teus lugares silenciosos
Sem ninguém.
É de todos
E não só meu.
Tuas árvores em fuga
Para os confins
Da amazônia
Pedem um namorado
Que corte sua carne
Para desenhar um coração.
Este namorado
Sou eu?
Posso gritar a importância
Da tua paz.
Hoje vou correr
Com teus rios
Para regalar
Do teu corpo todo.

BREGUEDO